Um fato que eu não entendo é o argumento de que a violência diminuiu com a criação da imprensa. Porque, quanto mais disseminam opinião por aí, mais eu tenho vontade de matar mil.
É tamanho o nível de inquietação que a pessoa fica ao não declarar supostamente uma posição, que os compartilhamentos ascendem em progressão astronômica. Uns absurdos, uns diálogos nojentos, uns vídeos criminosos, que olha!
Não vou entrar no mérito de catalogar cada babaca do facebook, porque né. Mas na ruptura entre o aceitável e o insustentável que atinge maleficamente meu coração e usurpa minha mente, foi ali mesmo, que eu excluí (e queria nunca mais voltar). Queria mesmo.
Às vezes caio na contradição de reclamar a saudade, mas não. Tá bem longe disso. Tá perto do vício de se deixar abalar todo dia por comentários maldosos e ignorantes. E rola sim as configurações de privacidade. Eu fiz uma redação no enem sobre isso, eu sei. Mas não acaba com todo o objetivo?
Não é de hoje que eu faço esse tipo de coisa. Entre meus idos tempos de orkut já não aceitava colegas de classe, ou aceitava e excluía em seguida, pra não ser rude. E então ainda não existia essa propagação de asneira que é inerente ao facebook, pelo menos parece. Então o que me incomodava? Só o fato da pessoa estar ali, do ladinho, classificada como meu amigo, acho. Também nunca ativei aquele histórico de atualização no orkut e por muito pouco tempo usei a listagem de quem me visitou, porque curiosidade era mínima e o que eu menos queria era incômodo.
Sinto até uma generosa dose de idiotice e intolerância (isso com certeza, mas não que eu me orgulhe) da minha parte, apesar de ter pregado por um tempo aceitação às mais diversas ideias humanas; mas não foi dessa vez - mais uma vez. Fica meio impraticável viver sem facebook por um lado: esse ano eu me mudo, entro na faculdade, começo a trabalhar. Por outro: sem 9gag, sem "tem tanta coisa mais importante pra você se preocupar e você...", sem "compartilhe se você não aguenta mais a corrupção em brasília", em paz, enfim.
A verdade era que o facebook tava me fazendo mal, e esse tempo que eu tô passando fora da matrix tá sendo demais. Uma parte desse tempo tô usando pra coisas construtivas, uma parte mínima pra fazer meus deveres como ser humano e o resto só saboreando o adiamento de todo o contato com a escrotice da mente humana mesmo.
Eu tô sentindo saudade de umas pessoas que só teria contato no facebook, mas sabe, eu tô super acessível, eu tenho e-mail, eu tô aqui todo dia.
O facebook é que tá todo errado.
2 comentários:
Lindo texto, parabéns pela vitória!
eu também queria excluir o meu, mas resolvi deixar ele lá parado. não entro. como diria a sabedoria popular "o que os olhos não veem, o coração não sente".
Postar um comentário