Já me convenci que conforme o tempo passa, o nível que a minha preguiça atinge é de uma escala do preocupante ao insustentável. A única época que lembro de não sentir preguiça (ou pelo menos, não deixar de fazer as coisas por ela) foi em 2008. Desde então, tenho ido de mal a pior. Estou naquela fase, recalibrando os planos, alguns assuntos pendentes, pra poder começar a fazer algo, e essa é a desculpa do momento. Hoje em dia eu estou branca como jamais sonhei em ser - consequência dos meus não-saudáveis não-encontros com o sol, adiando meus poucos deveres até meu senso de perturbação me deixar louca e nas poucas vezes que saio na rua, me deparo com uma construção inédita onde até semana passada (pelo menos pra mim) era um terreno baldio. Mas não é a preguiça física que está me levando a escrever isso.
Com algumas adversidades da minha vida, me voltei a assistir seriados freneticamente. Assistia, re-assistia temporadas em um dia. Descobri inúmeros seriados ótimos que até hoje recomendo aos amigos, acompanhava os blogs que resenhavam-os, era membra ativa nas comunidades (orkut, volta!) deles, ou seja, criei uma bolha, tinha um grupo de amigos, por eles. Atualmente, ando com uma preguiça... Mas já houve épocas que também não tinha paciência e passava ou para os livros ou para a música. Aliás, curioso como todo mundo tem esse laço fortíssimo com a música e eu nem tanto. Eu gosto mesmo, mas entre os três, ela fica em terceiro lugar. A consequência disso é o meu last.fm estagnado nos mesmos artistas desde 2009, quando o criei.
Porém, hoje, a coisa tornou-se mais cruel. Vontade louca de ler. Tenho o tempo e os recursos, afinal minha fila de livros não-lidos na estante já chega a uns 20. E agora vou ser clichê, a era da internet criou o monstro que sou hoje. Moldou sutilmente essa leitura dinâmica (eu acho que é assim que nomeiam) que eu nunca quis e sempre tive medo de desenvolver. Olhando pra trás vejo como era obstinada nessa questão. Era capaz de ler em qualquer ambiente, em qualquer posição, a qualquer momento. Os ruídos de fundo tornavam-se irrelevantes combinados com meus gibis da Turma da Mônica. Eu realmente não ouvia mais nada. Lembro bem de como meus pais se irritavam facilmente comigo, porque quando me dava conta, eles estavam do meu lado reclamando que me chamavam há muito tempo e já não precisavam da minha ajuda, já que haviam saído de seus lugares para buscar algo que eu, inicialmente, teria que levar. Isso era a definição de se estar absorto na literatura, e eu perdi aos 11 anos.
Lamento muitíssimo desde então, mas nunca pensei que pioraria. Agora, ao ler algo na internet, meus olhos vasculham palavras-chave, montando automaticamente o sentido do texto na minha cabeça, sem respeitar ou dar importância à estrutura textual que está na minha frente. E logo fico com preguiça também. Nada me prende como antes.
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