Pra falar respeitavelmente desse livro, só lendo e ficando profunda e dolorosamente indignada novamente.
Simone de Beauvoir: Nunca te li, sempre te amei.
Essencialmente, a história se dá quando Xaviére muda de Rouen para Paris às custas de um casal de artistas, Françoise e Pierre. Xaviére à princípio se demonstra frágil e inocente, moça de interior, sem ambições ou talentos. Insiste em enfatizar o tempo todo como é sem graça, como Françoise é bonita e elegante, como é inspiradora e generosa com ela. Aparenta ter medo de Pierre. Tem receio em se expressar perto dele e se mantém quieta e sem determinação no início do livro.
Depois todo mundo já sabe o que acontece. Xaviére se mostra muito diferente da menina sem opiniões e resignada que demonstrou no início. Faz drama, exigências, é egoísta e ciumenta.
Mas não é essa a característica que me manteve ávida ao ler o livro, mas sim a reação que Françoise assume firmemente até o fim. De abnegação, compreensão, angústia às vezes. Todas as ações incorretas de Xaviére, Françoise faz questão de explicar, seja com o modo de vida diferente que Xaviére foi instruída no interior, seja como uma implicância que indicava um defeito da personalidade da própria Françoise.
Em um ponto, após acontecimentos indiscutivelmente imperdoáveis, Françoise continua encontrando Xaviére, se esforçando para animá-la com a vida em Paris e iniciá-la em algum trabalho que a envolvesse e requisitasse a sua espirituosa personalidade. Obviamente, não era em momento algum considerada mais do que um alvo para executar todas os caprichos de Xaviére.
Foi bem conveniente eu ler esse livro recentemente. Há muitas relações tais quais essa que passam despercebidas, já que leva-se em conta amizade e confiança. Não é sempre que captamos o interesse e a falsidade de forma tão perversa, em até então uma amizade sincera. Acabamos passando muito tempo com dúvidas e receios, pensando ser real apenas numa distorção interna nossa. Mas acredito que no fim, ao nos darmos conta de tanta porcaria, acabaremos tomando decisões tão absolutas quanto Françoise no fim desse livro.
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