domingo, janeiro 27

O Terror da Faculdade

Bom, todo mundo sabe que ano passado eu me mudei pra Curitiba pra fazer Cinema e ver se dá alguma coisa certo na minha vida. Apesar de eu já ter perdido um ano por causa do técnico que fiz no ensino médio - não sei classificar se foi útil ou não - ainda consegui passar no segundo período de Cinema. Então fiquei um ano sem fazer nada, esperando a faculdade começar e muito preocupada em achar um lugar razoável pra ficar. 

O que mais caracteriza a minha vida é essa sobra de tempo que vira um vácuo, sabe? Perdi 6 meses do começo de 2008 porque entrei no ensino médio na metade daquele ano, daí terminei em 2011 na metade do ano e entrei na faculdade na metade de 2012. Um ano e meio perdidos já. Também não é como se eu já não me torturasse o bastante.

Então para os meus vestibulares consegui tomar todas as escolhas erradas, errar gabaritos, errar uma questão fatídica que mudou toda minha vida acadêmica, me fazer perder todo esse tempo, deixar de passar no curso que eu queria e essas coisas. Tô tentando me curar disso ainda, o problema é a idade. Mas eu passei em Cinema.

Um pouco sobre a Faculdade de Artes do Paraná: O curso de Cinema foi integrado à faculdade e todo mundo tem problemas em aceitar isso, porque o curso recebia no início muitos recursos e hoje em dia esta abandonado. Pra ter uma ideia a faculdade não tem nem lugar pra dar aula pro meu curso. Todos os semestres tem que pegar um ônibus, esperar meia hora até ser entregue num Parque que tem muitos animais, cerca elétrica, uma cidade cenográfica abandonada e muito mato. Eu sinto falta de ter janela na sala. Não é normal passar 4 horas dentro de uma sala sem janela, só com ar condicionado. No meu ensino médio tinha uma janela gigante, onde a gente tava no segundo andar e entrava um sol lindo. A faculdade aparentemente também não tem vínculo algum pra proporcionar estágio pra gente e não dá bolsas, até onde eu sei. Ocasionalmente pode rolar um trabalhinho temporário pra fazer um vídeo institucional, como eu sei que rolou esse ano, mas não tô nem contando com isso. Eu estou agora no segundo período, então não tive acesso algum aos equipamentos da faculdade e até agora 98% das aulas foram teóricas.

Então vocês já conseguiram enxergar meu problema.

Nem teve tanta birra com família como alguns podem imaginar. Qualquer curso que não fosse Engenharia viria com uma enchente de "Mas o que isso faz?". Eles nem fizeram muitas perguntas e acabei arranjando um lugar acima das minhas expectativas até. É suportavelmente perto da faculdade pra ir andando, já que Curitiba tem um clima muito mais ameno que Paranaguá. O bairro que eu atravesso pra chegar na faculdade é bem tranquilo. Dá até prazer de voltar as 19h no friozinho, descendo as ladeiras.

Eu tinha certeza de que ia arranjar um emprego. Me mudei com essa promessa pra minha família. Fica difícil tendo que estar na faculdade às 13:30 e chegando às 19h (lembrem-se que eu tenho a meia horinha dentro do ônibus). Eu não achei que seria tão difícil.

No ano passado eu fiz vestibular e o enem de novo, tentando jornalismo. É difícil você ser boa em algo quando você está acomodada como eu estava. Eu acho que nem torci, achei que ia dar certo como as coisas dão, mesmo que na base do tranco. Se bem que vestibular já é uma porcaria. Fui péssima, nível superação do ridículo. Fui tão mal que num primeiro momento eu não quis contar pra ninguém de vergonha, mas no segundo seguinte não tava nem aí, porque é até difícil de acreditar no meu feito.

Enfim, não sei o que fazer.
E com essa frase eu dou início à minha vida adulta.

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