sexta-feira, outubro 10

Como ousa


Ontem vi uma guria desfilando com um black tão lindo que fiquei invejando. Só de ver as pessoas tendo orgulho da própria identidade me enche os olhos. Fiquei pensando na menina depois. Esse pensamento se entrelaçou com muitos outros e, ainda que eu não tenha chegado numa conclusão, sempre fico embasbacada como quando você vai reconhecendo os elementos da equação, o resultado vai fazendo cada vez mais sentido.

Apesar de eu endossar completamente o movimento negro e super me interessar por ele, sempre me intrigou o "orgulho" de ser alguma coisa. Eu sei que é questão de empoderamento e reafirmação das origens, coisa que a sociedade suga da gente e daí só fazendo um esforço sem igual para recuperar aos pouquinhos, mas eu pensava além disso. 

Sendo mulher, me declarando feminista, eu me percebi orgulhosa. Os homens não passam pelo que a gente passa. Passar por deslegitimação de todos os tipo desde que você é criança tem consequências. Uma delas é o que a gente conhece, a falta de confiança, o desânimo, a submissão, etc. Daí tudo isso se transforma quando o feminismo surge na vida. Fora a raiva, o nojo, a vontade de dar uns tabefe nos home, a coisa mais importante é a certeza de que a nossa casca engrossou e desculpa, mas a gente vai vencer. E entre um monte de home que chora por pagar mais na balada e um monte de mulher que tá encarando de frente assédio/violência doméstica/abuso psicológico, acho que tá claro quem tá mais preparado.

Porque no fim, entre ter orgulho de ser de uma raça dizimadora, que até hoje é egoísta e se utiliza do racismo institucionalizado para fechar os olhos às minorias e ter origens que têm uma cultura tão diversa, que contesta a norma da sociedade, que há centenas de anos tentam destruir e permanece ressurgindo cada vez mais forte, imagino que sim, deve dar mó orgulho de ter essa história.

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